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Presidente Chapo exige desmantelamento das redes de tráfico de drogas

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Presidente Chapo exige desmantelamento das redes de tráfico de drogas

MAPUTO, 14 DE OUTUBRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, exige o reforço da prevenção e do combate ao tráfico de drogas, com maior capacidade de investigação, controlo das fronteiras, combate ao financiamento das redes criminosas e protecção das crianças e jovens, defendendo que Moçambique não pode enfrentar um fenómeno cada vez mais complexo e transnacional com os mesmos métodos de sempre.

Falando hoje, em Maputo, na abertura da Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga, o Chefe do Estado alertou para a crescente sofisticação das organizações criminosas, que recorrem às novas tecnologias, plataformas encriptadas e meios de pagamento digitais para ampliar e dissimular as suas operações, enquanto se assiste ao surgimento de novas substâncias psicoactivas e ao aumento do número de consumidores, incluindo menores de idade.

Na ocasião, revelou que as autoridades moçambicanas têm constatado, nos últimos anos, a entrada de quantidades significativas de drogas no país, bem como a existência de unidades de produção de substâncias psicoactivas como anfetamina, metanfetamina e fentanil, além da utilização de pequenas machambas [campos de produção] e zonas remotas para dificultar a detecção das actividades ilícitas.

O Presidente Chapo apontou a entrada e circulação de cocaína e heroína, bem como de substâncias que podem ser utilizadas como precursores, como uma das maiores preocupações, observando que o mercado ilícito deixou de se limitar ao trânsito de drogas e passou a abranger também a produção e o consumo em território nacional.

Perante este cenário, o estadista moçambicano defendeu o reforço da capacidade de intervenção do Ministério Público, tribunais, Forças de Defesa e Segurança (FDS) e Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), incluindo a intervenção nos locais de venda e consumo de droga.

“O Estado não pode, nem deve, ter qualquer complacência: impõe-se a sua identificação, o seu encerramento e a responsabilização criminal de todos quantos, directa ou indirectamente, deles tiram proveito”, orientou.

A escola mereceu particular atenção do Presidente da República, que considerou preocupante a aproximação das redes de droga aos estabelecimentos de ensino.

“A nossa infância não está à venda”, afirmou, defendendo a criação e revitalização de Núcleos Anti-Droga nas escolas públicas e privadas, tomando como referência a experiência desenvolvida na Cidade de Maputo.

Na investigação criminal, o Chefe do Estado recomendou ainda a modernização dos equipamentos e instrumentos de investigação, o reforço dos laboratórios para identificação de novas substâncias psicoactivas e o apetrechamento das fronteiras, portos, aeroportos e espaços marítimos com meios modernos de vigilância e fiscalização.

Além disso, defendeu igualmente uma mudança de paradigma no combate ao narcotráfico, passando da apreensão das substâncias para a investigação das estruturas financeiras e patrimoniais das organizações criminosas, através do rastreio dos fluxos financeiros, identificação dos beneficiários e recuperação dos activos resultantes da actividade criminosa.

“Temos de golpear o inimigo onde mais lhe dói, até ele não ter mais forças de se reerguer”, afirmou.

O Presidente da República sublinhou que o combate à droga exige coordenação entre as instituições nacionais e maior cooperação internacional, considerando que “nenhum país consegue, isoladamente, enfrentar redes criminosas que atravessam fronteiras, actuam em diferentes jurisdições e movimentam recursos financeiros através de vários países”.

Entre outros aspectos, associou o combate ao tráfico de drogas à independência económica do país, alertando que não será possível alcançá-la enquanto o crime organizado, o branqueamento de capitais e a exposição de crianças e jovens ao consumo continuarem a gerar consequências para a sociedade moçambicana.