BEIRA, 15 DE OUTUBRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu hoje, na cidade da Beira, uma homenagem associada ao reconhecimento como “Campeão” atribuído pela União Africana, distinção que o Chefe do Estado interpretou como uma homenagem ao povo moçambicano e aos actores que trabalham na prevenção e redução do risco de desastres no país.
A homenagem foi prestada no âmbito do I Congresso Internacional de Acção Humanitária e Cooperação (CIAHC-2026), realizado na cidade da Beira, onde o Presidente da República participou na abertura oficial do encontro, promovido pela Universidade Licungo em parceria com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Ao receber a distinção, o Presidente Daniel Chapo afirmou que a recebe “com humildade, gratidão e elevado sentido de responsabilidade”, considerando que o reconhecimento não representa apenas uma distinção pessoal, mas também uma homenagem ao povo moçambicano.
O Chefe do Estado associou igualmente a homenagem aos Comités Locais de Gestão do Risco de Desastres, às instituições nacionais, profissionais humanitários, voluntários, parceiros de cooperação e agências das Nações Unidas que trabalham na protecção das populações afectadas por crises.
Por conseguinte, destacou que existem mais de 1.500 Comités Locais de Gestão do Risco de Desastres em Moçambique, atribuindo-lhes um papel importante na prevenção e resposta às calamidades e na protecção das comunidades expostas a diferentes riscos.
“É, sobretudo, uma homenagem às mulheres e aos homens que, muitas vezes em condições difíceis, colocam o seu conhecimento, o seu tempo, a sua vida e a sua dedicação ao serviço da vida humana”, afirmou o Presidente da República, destacando igualmente o contributo dos líderes comunitários e religiosos, sector privado, sociedade civil, jovens, mulheres e crianças.
O reconhecimento foi também associado pelo Chefe do Estado ao trabalho desenvolvido pelos diferentes actores da assistência humanitária, considerando que a dignidade das pessoas deve permanecer acima das diferenças e que a solidariedade assume particular significado nos momentos de maior adversidade.
O Presidente da República recebeu a homenagem como um incentivo à continuidade dos esforços colectivos destinados a prevenir riscos, proteger as populações e fortalecer as capacidades das instituições nacionais.
“Atribuo esta homenagem ao povo moçambicano”, declarou o Presidente da República, reiterando que a acção humanitária constitui uma missão colectiva que exige compromisso permanente, empatia, coordenação e solidariedade efectiva para colocar a dignidade humana no centro das decisões e acções em benefício das populações.
Na abertura do I Congresso Internacional de Acção Humanitária e Cooperação, o Presidente Daniel Chapo defendeu igualmente maior articulação entre os diferentes actores da acção humanitária e o cumprimento dos compromissos assumidos para apoiar a reconstrução das comunidades afectadas por calamidades, sublinhando que a resposta aos desafios humanitários deve traduzir a solidariedade em resultados concretos para as populações.
O congresso, promovido pela Universidade Licungo em parceria com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), decorre na cidade da Beira em simultâneo com a Conferência Internacional sobre Redução de Desastres e Resiliência em África, em Maputo.
Na ocasião, o Presidente Chapo apontou a experiência de Moçambique na resposta às calamidades, destacando que a localização geográfica do país o torna particularmente vulnerável a ciclones, cheias, inundações e secas, situação agravada pelas alterações climáticas. Referiu, em particular, o impacto do ciclone Idai, que deixou marcas profundas na cidade da Beira e nas comunidades afectadas.
Neste contexto, lembrou que, na Conferência Internacional de Doadores realizada na Beira em 2019, na sequência dos ciclones Idai e Kenneth, foram anunciados compromissos de cerca de 3,2 mil milhões de dólares norte-americanos para a reconstrução da cidade da Beira e da província de Sofala. Contudo, decorridos mais de sete anos, apenas cerca de um terço desse valor foi desembolsado.
O Presidente da República observou que parte significativa dos recursos desembolsados foi canalizada através de organizações não-governamentais, sem mecanismos suficientemente articulados de informação e coordenação com o Governo, defendendo que o congresso contribua para o reforço da confiança entre os diferentes actores e para a definição de melhores mecanismos de cooperação.
Perante os riscos associados aos fenómenos extremos, o Chefe do Estado defendeu o reforço dos sistemas de aviso prévio, a preparação das comunidades, a melhoria do ordenamento territorial e o investimento em infra-estruturas resilientes, bem como o desenvolvimento de capacidades institucionais para antecipar riscos e coordenar intervenções antes, durante e depois das calamidades.
O Chefe do Executivo destacou igualmente a importância dos Comités Locais de Gestão do Risco de Desastres na redução dos efeitos das calamidades junto das populações.
“Nós, em Moçambique, o segredo do nosso sucesso são os Comitês Locais de Gestão de Riscos de Calamidades”, afirmou, defendendo que esta experiência seja analisada e replicada em outros contextos.
O Presidente referiu ainda que os desafios humanitários de Moçambique incluem a violência terrorista em partes da província de Cabo Delgado, que continua a provocar deslocação de famílias, interrupção das actividades económicas e dificuldades de acesso a serviços essenciais. Defendeu, por isso, que a assistência humanitária caminhe lado a lado com a recuperação dos meios de subsistência, o restabelecimento dos serviços públicos e a reconstrução das infra-estruturas.
Daniel Chapo sublinhou que a dimensão dos desafios humanitários exige a participação concertada dos Estados, universidades, organizações internacionais, agências das Nações Unidas, parceiros de cooperação, sociedade civil, sector privado e comunidades.
“Todos temos que estar juntos”, afirmou, antes de declarar oficialmente aberto o I Congresso Internacional de Acção Humanitária e Cooperação, que decorre sob o lema “Cooperar para a Humanidade”.