MAPUTO, 16 DE OUTUBRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reiterou hoje, no distrito de Caia, província de Sofala, a urgência de consolidar o Diálogo Nacional Inclusivo e o respeito pelas diferenças políticas, religiosas e sociais como fundamentos essenciais para garantir a paz e o desenvolvimento em Moçambique.
Ao discursar num comício popular integrado na sua agenda de Governação de Proximidade, Participativa e Inclusiva, o Chefe de Estado advertiu que nenhuma nação prospera sem estabilidade e apelou aos cidadãos para fazerem da convivência pacífica e do entendimento mútuo uma cultura diária, a partir do seio familiar.
Daniel Chapo explicou que a paz não deve ser entendida apenas como o silêncio das armas, mas também como a ausência de violência no seio das famílias e das comunidades, defendendo que o diálogo deve constituir a principal via para resolver diferenças e evitar conflitos.
“A paz tem que começar na família. Em casa é onde temos que cultivar o diálogo como nossa forma de ser e estar”, afirmou.
O Chefe do Estado destacou que a diversidade de opiniões, convicções e escolhas é uma característica natural da sociedade e deve ser respeitada por todos, considerando que a paz depende da capacidade de os cidadãos conviverem com as diferenças.
“Para que haja paz, nós temos que respeitar a diferença, saber que todos somos diferentes”, disse, condenando actos de violência motivados por divergências políticas, religiosas ou outras.
Neste contexto, o Presidente da República defendeu que o Diálogo Nacional Inclusivo deve contribuir para transformar o diálogo numa prática permanente da sociedade moçambicana, desde as famílias até às estruturas locais e nacionais.
“Por isso, estamos a promover o Diálogo Nacional Inclusivo, em que nenhum moçambicano está excluído, porque queremos fazer do diálogo a nossa cultura, desde a família, no bairro, com os vizinhos, no nosso município, no distrito, na nossa província de Sofala, no nosso país Moçambique”, afirmou.
O estadista apelou igualmente à vigilância da população contra a desinformação, os boatos e a manipulação, advertindo que estes fenómenos podem provocar violência e levar à destruição de bens públicos. Segundo explicou, escolas, hospitais, estradas, sistemas de abastecimento de água e infra-estruturas de energia são património destinado a servir as comunidades e a sua destruição prejudica directamente a população.
“O Governo, quando constrói escolas e dá livros grátis às crianças, é para o povo. Quando constrói hospital, é para o povo. Quando constrói estrada, é para o povo. Quando expande a energia, é para o povo. Quando constrói sistema de abastimento de água, é para o povo”, sublinhou o Chefe do Estado, apelando aos cidadãos para se manterem atentos a actos que possam comprometer a paz e o desenvolvimento das comunidades.
Outra mensagem deixada pelo Presidente da República esteve relacionada com a necessidade de intensificar o trabalho e a produção como base do desenvolvimento. Explicou que trabalhar não significa apenas ter emprego no Estado ou numa empresa, mas também produzir nos campos agrícolas, comercializar produtos e desenvolver actividades que permitam garantir alimentação e gerar rendimentos para as famílias.
“É esse trabalho que o Presidente está a falar, quando diz: Vamos trabalhar. E cada um de nós pegar enxada ir, à machamba [campo agrícola], produzir comida, vender, ter comida para sua família e matar a fome”, afirmou.
O Chefe do Estado recomendou ainda à população de Caia que se prepare para um eventual período de seca, associado ao fenómeno El Niño, através da aposta em culturas resistentes à estiagem e da recuperação de infra-estruturas de abastecimento de água. Orientou igualmente para que as comunidades comuniquem a existência de furos e sistemas de abastecimento avariados, de modo a permitir a sua reparação e reforçar a capacidade de resposta às necessidades de água.
Durante o comício, a população de Caia apresentou ao Presidente da República diversas preocupações, incluindo a construção de um sistema de irrigação para o aproveitamento das águas do rio Zambeze, a asfaltagem da estrada Caia–Sena, a construção de uma universidade e a expansão da energia eléctrica para as localidades de Ndoro e Licoma.
A população solicitou ainda medidas para reduzir os conflitos entre humanos e animais, a construção de unidades sanitárias em vários povoados, o aumento do número de beneficiários do subsídio para idosos e a melhoria das condições de transporte ferroviário e das infra-estruturas associadas à circulação de pessoas e bens.