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O Daniel Chapo afirmou, em Maputo, que Moçambique deve concentrar esforços na transição definitiva do crescimento económico para um desenvolvimento inclusivo, assente em reformas estruturantes e num diálogo nacional abrangente.
O Chefe do Estado falava esta quinta-feira durante o lançamento do livro “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado”, da autoria do Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá.
Na ocasião, o Presidente sublinhou que o país precisa adoptar decisões arrojadas e promover um novo mindset centrado no empreendedorismo, assegurando que o Governo está empenhado em transformar ideias académicas em políticas públicas com impacto nas futuras gerações.
Durante a cerimónia, o estadista destacou o valor teórico e prático da obra, classificando-a como uma contribuição relevante para o processo de desenvolvimento nacional. Segundo afirmou, o autor estabelece uma distinção clara entre crescimento económico e desenvolvimento, uma abordagem que considera fundamental para o actual contexto de governação.
Ao analisar o percurso histórico do país, o Presidente reconheceu que, apesar dos avanços registados ao longo dos 50 anos de independência, estes foram maioritariamente de natureza quantitativa. Assim, defendeu que o foco deve agora incidir sobre a qualidade de vida e o bem-estar social, sublinhando que crescimento económico nem sempre se traduz em desenvolvimento efectivo.
O Chefe do Estado reiterou ainda a importância da inclusão no processo de transformação nacional, destacando o papel do debate público como motor de mudança. Neste contexto, fez referência ao Diálogo Nacional Inclusivo em curso, que envolve partidos políticos, sociedade civil e lideranças religiosas e tradicionais.
Para impulsionar estas transformações, o Presidente mencionou a criação do Gabinete de Reformas e Projectos Estratégicos na Presidência da República, uma estrutura destinada a integrar e desenvolver contributos provenientes da academia, com vista à implementação de soluções inovadoras.
Reconhecendo que reformas estruturais podem enfrentar resistência inicial, o governante apelou à compreensão da sociedade, admitindo que os benefícios dessas medidas podem não ser imediatamente perceptíveis, mas assegurou que o tempo confirmará a sua eficácia.
Outro ponto central da intervenção foi a necessidade de reformar o sistema educativo, orientando-o para a criação de riqueza. O Presidente defendeu uma mudança de paradigma, de modo a incentivar o empreendedorismo entre os jovens, em vez de uma formação exclusivamente voltada para o emprego formal.
Neste âmbito, garantiu que o Governo está a rever os quadros legais e fiscais para apoiar as Pequenas e Médias Empresas (PME), com o objectivo de reduzir a carga tributária sobre jovens empreendedores e estimular a criação de emprego.
A encerrar, o Presidente apelou à unidade nacional e à participação activa dos cidadãos no debate público e na produção intelectual, reforçando que a construção de um Moçambique próspero depende do contributo colectivo.