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O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou esta terça-feira, em Kampala, que o país pretende reforçar as relações históricas de amizade e cooperação com o Uganda, destacando que a experiência ugandesa no combate ao terrorismo poderá contribuir para os esforços de estabilização da província de Cabo Delgado.
As declarações foram feitas durante a conferência de imprensa de balanço da participação do Chefe do Estado moçambicano na cerimónia de investidura do Presidente ugandês, Yoweri Museveni, reeleito nas eleições de 15 de Janeiro de 2026.
Segundo Daniel Chapo, a deslocação a Kampala teve como principal objectivo reafirmar os laços históricos existentes entre Moçambique e Uganda, construídos desde os tempos das lutas de libertação africanas.
“A nossa relação com o Uganda é histórica. Como ouviram no discurso do Presidente Yoweri Museveni, os primeiros 80 combatentes da luta de libertação de Uganda foram treinados em Moçambique, incluindo o Presidente Yoweri Museveni”, declarou.
O Presidente da República destacou ainda que o estadista ugandês possui um profundo conhecimento da província de Cabo Delgado, particularmente do distrito de Montepuez, onde recebeu formação militar durante a luta de libertação ugandesa.
“Ele conhece profundamente Montepuez, o centro onde treinou, e também conhece profundamente a província de Cabo Delgado. Até hoje tem muitas palavras em português, consegue conversar em português, dada a vida e o tempo que levou em Moçambique com os nossos combatentes da luta de libertação nacional, portanto, da FRELIMO”, afirmou.
Daniel Chapo considerou que este legado histórico justificou plenamente a presença moçambicana na cerimónia de tomada de posse em Kampala, após as eleições presidenciais ugandesas.
Durante o discurso de investidura, Yoweri Museveni destacou a importância das relações entre Uganda, Tanzânia e Moçambique, evocando o papel histórico desempenhado pelos países da região nos movimentos de libertação africanos.
O Chefe do Estado moçambicano recordou que a Frente de Libertação de Moçambique foi fundada a 25 de Junho de 1962, em Tanganica, actual República Unida da Tanzânia, razão pela qual a Presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan, também esteve presente na cerimónia.
Segundo o governante, o reforço da cooperação bilateral visa consolidar as relações políticas e históricas, mas também abrir espaço para uma cooperação económica mais abrangente entre os dois países.
“O objetivo é realmente reforçarmos cada vez mais as relações de amizade e cooperação entre os dois países, sobretudo porque as nossas relações históricas devem ser cada vez mais consolidadas para que o desenvolvimento económico que nós pretendemos, para criar melhores condições de vida para o povo moçambicano, possa realmente consolidar-se cada vez mais com estas relações”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de Moçambique beneficiar da experiência ugandesa no combate ao terrorismo, Daniel Chapo reconheceu que o Uganda possui um percurso relevante no enfrentamento de grupos extremistas armados em África.
“Sim, como sabem, o Uganda tem uma experiência muito grande no combate ao terrorismo e também ouviram no discurso de tomada de posse do Presidente Yoweri Museveni, que ele conhece profundamente a província de Cabo Delgado, foi treinado em Cabo Delgado”, sublinhou.
O Presidente acrescentou ainda que Moçambique considera o Uganda “um país que vale a pena contar com ele, ao nível do continente africano, para o combate ao terrorismo que estamos a enfrentar na província de Cabo Delgado”.