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O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, afirmou este sábado, em Maputo, que o legado do Herói Nacional Joaquim João Munhepe Muhlanga deve servir de inspiração para os moçambicanos na actual luta pela independência económica do país, destacando o antigo comandante militar como símbolo de patriotismo, integridade e dedicação à pátria.
As declarações foram proferidas durante as exéquias realizadas na Praça dos Heróis Moçambicanos, onde o Chefe do Estado considerou que o exemplo deixado por Joaquim Munhepe continuará vivo na memória colectiva nacional, pela sua contribuição histórica na luta de libertação e na consolidação da soberania moçambicana.
“Um herói nunca morre, pois o impacto dos seus feitos, legado e exemplo de coragem transcendem a sua vida física e constituem fontes inesgotáveis na fase actual em que travamos a luta pela nossa independência económica”, declarou o estadista.
Na sua intervenção, Daniel Chapo descreveu o malogrado como um dos mais destacados protagonistas da luta armada de libertação nacional, sublinhando que toda a sua trajectória foi marcada pela entrega total à causa do povo moçambicano e à defesa da soberania nacional.
“Vida e obra dedicadas à luta contra a dominação colonial estrangeira e à defesa da soberania de uma Nação, cuja conquista o General Munhepe foi um dos mais destacados protagonistas”, afirmou.
O Presidente da República destacou igualmente os valores cultivados pelo antigo combatente, nomeadamente patriotismo, disciplina, honestidade, responsabilidade e integridade, considerando-os fundamentais para o fortalecimento da unidade nacional e da coesão social entre os moçambicanos.
Durante o elogio fúnebre, o Chefe do Estado recordou que Joaquim Munhepe ingressou na Frente de Libertação de Moçambique em 1964, após abandonar clandestinamente a cidade da Beira para se juntar à luta armada na Tanzânia.
Segundo explicou, naquele país recebeu formação político-militar e destacou-se como um dos principais quadros ligados às comunicações militares e à preparação estratégica da luta de libertação nacional.
Daniel Fransisco Chapo salientou ainda o papel desempenhado por Joaquim Munhepe na organização das comunicações das Forças Populares de Libertação de Moçambique, na direcção do Centro de Preparação Político-Militar de Nachingwea e na coordenação de operações militares durante o combate ao colonialismo português.
O estadista destacou igualmente a participação do antigo comandante nas Conversações de Lusaka, em 1974, bem como o seu contributo para a implementação dos mecanismos de transição que conduziram à independência nacional.
Após a independência, Joaquim Munhepe ocupou vários cargos de chefia nas Forças Armadas de Moçambique, incluindo o de Chefe do Estado-Maior General e primeiro Comandante do Exército Nacional, desempenhando um papel relevante na consolidação das instituições de defesa e segurança do país.
Na ocasião, o Presidente da República recordou também que o Conselho de Ministros propôs, no passado dia 19 de Maio, a atribuição do título honorífico de Herói Nacional ao Tenente-General Joaquim Munhepe, em reconhecimento pelos seus actos heroicos e pela sua contribuição para a libertação e construção do Estado moçambicano.
Na parte final da cerimónia, Daniel Chapo apelou aos moçambicanos para preservarem os ideais defendidos pelo antigo combatente e transformarem “as lágrimas de dor numa fonte de inspiração” para continuar a luta pelo desenvolvimento, paz e bem-estar colectivo.
O Tenente-General na Reserva Joaquim João Munhepe Muhlanga faleceu no dia 17 de Maio de 2026, vítima de doença. Na sequência do seu desaparecimento físico, o Governo moçambicano decretou dois dias de luto nacional, período durante o qual a Bandeira Nacional será içada a meia-haste em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares da República de Moçambique.