MAPUTO, 07 DE SETEMBRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reafirmou hoje, em Maputo, o compromisso do Estado com a valorização dos combatentes da Luta de Libertação Nacional e apelou à actual geração para preservar a memória daqueles que lutaram pela independência e assumir a responsabilidade de transformar a liberdade política em prosperidade económica.
Intervindo nas celebrações do Dia da Vitória, que assinala os 52 anos da assinatura dos Acordos de Lusaka entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o Estado Colonial Português, o Chefe do Estado defendeu que honrar o legado dos combatentes deve traduzir-se em acções concretas, trabalho, produção, conhecimento e empreendedorismo, tendo como prioridade nacional a conquista da “Independência Económica”.
A mensagem foi reforçada durante a Segunda Gala Nacional do Combatente, realizada na Ponta Vermelha, que reuniu veteranos provenientes de diferentes pontos do país, num momento de reencontro, confraternização e reconhecimento do seu contributo para a conquista da independência nacional.
Na ocasião, o Presidente da República agradeceu aos combatentes pela liberdade e independência conquistadas, estendendo o reconhecimento a todos os veteranos espalhados pelo país.
“Em nome do povo moçambicano, hoje, Dia da Vitória, muito, muito, muito obrigado”, declarou o Presidente da República perante os combatentes que participaram na gala.
Daniel Chapo explicou que a realização da gala na Ponta Vermelha possui também um significado histórico, por se tratar de um espaço que, no período colonial, era vedado à entrada de muitos moçambicanos.
“Isto significa que nós descolonizámos a Ponta Vermelha, por isso está também a imagem da nossa independência ao estarmos aqui juntos”, afirmou, destacando a transformação do local num espaço de todos os moçambicanos.
O estadista recordou igualmente o significado do 7 de Setembro, sublinhando que foi em Lusaka, a 7 de Setembro de 1974, que foi traçado o roteiro para a Independência Nacional, posteriormente proclamada a 25 de Junho de 1975.
“Por isso, para nós, moçambicanos, o 7 de Setembro não é apenas mais uma data de calendário, é o dia da nossa vitória”, sublinhou.
Neste contexto, o Chefe do Estado apelou à juventude para que preserve a memória da Luta de Libertação Nacional, incentivando os jovens a ouvir directamente os testemunhos dos veteranos e a conhecer as experiências daqueles que lutaram pela liberdade.
“Um país que preserva a memória dos seus heróis fortalece também a sua capacidade de construir o futuro”, afirmou.
No quadro das medidas de valorização dos combatentes, o Presidente Chapo destacou que, nos primeiros 18 meses da actual governação, foram distribuídos cerca de 3.500 cartões de identificação dos combatentes, prestada assistência médica e medicamentosa a perto de 15 mil combatentes e concedidos subsídios de funeral a mais de mil famílias, além da atribuição de 426 bolsas de estudo a descendentes dos combatentes.
“A valorização do combatente não se faz apenas com palavras, mas também com acções concretas”, salientou.
O Chefe do Executivo manifestou, entretanto, preocupação com o aumento do número de combatentes e com a demora no processo de fixação das respectivas pensões, que se prolonga há mais de quatro décadas. Segundo explicou, o Governo decidiu encerrar este processo, considerando que “valorizar o verdadeiro combatente é também purificar as suas fileiras”.
Ainda no âmbito das medidas de valorização, o Presidente da República anunciou que, a partir deste ano, 10 por cento dos projectos do sector da agricultura serão reservados para os Veteranos da Luta de Libertação Nacional em todo o país.
“O Governo decidiu que, a partir deste ano, 10 por cento dos projectos do sector da agricultura serão reservados para Veteranos da Luta de Libertação Nacional, em todo o país.”
Segundo explicou, a iniciativa pretende permitir que aqueles que contribuíram para libertar a terra e o povo também participem no seu desenvolvimento sustentável.
Ao abordar a nova etapa da história de Moçambique, Daniel Chapo afirmou que os primeiros 50 anos da independência foram dedicados à consolidação do Estado, à defesa e preservação da soberania e da integridade territorial, bem como à afirmação de Moçambique no concerto das Nações.
Defendeu, por isso, que a nova etapa deve ser marcada pelo trabalho, produção, conhecimento e empreendedorismo, tendo em vista a construção de uma economia em crescimento e cada vez mais competitiva nos mercados interno, regional e global.
“Queremos empresas moçambicanas capazes de competir em pé de igualdade com as estrangeiras. Queremos que os nossos jovens participem mais nas cadeias de valor, porque são a prioridade da nossa governação”.
O Presidente Chapo apontou ainda a necessidade de construir uma economia mais moçambicana, produtiva e competitiva, tendo os jovens como principais protagonistas, e associou este desafio à construção de instituições públicas mais eficientes.
“Queremos, sem margem de dúvidas, construir um país inimigo da corrupção, com instituições mais eficientes, com funcionários mais íntegros e comprometidos com o serviço público transparente, profissionalizado e humanizado e, sobretudo, célere, daí o processo de transformação digital no sector público”.
O Chefe do Estado considerou igualmente que a independência económica depende da existência de paz, estabilidade e segurança, defendendo que não é possível atrair investimentos, aumentar a produção ou instalar fábricas em ambientes de insegurança.
Neste contexto, afirmou que Moçambique está há 11 meses sem registo de casos de rapto e reiterou o compromisso de construir um país livre dos raptos, do terrorismo, do branqueamento de capitais e do tráfico de drogas.
Sobre o combate ao terrorismo em Cabo Delgado, afirmou que actualmente não existe nenhuma vila ocupada por terroristas, destacando o trabalho desenvolvido pelas Forças de Defesa e Segurança, pela Força Local e pelas forças de países amigos.
“Conseguimos expulsar os terroristas de todas as vilas e sedes dos distritos que outrora haviam ocupado”, declarou, reafirmando que o Governo continuará empenhado em impedir que qualquer parcela do território nacional seja controlada por terroristas.
Dirigindo-se particularmente à juventude, o Presidente da República apelou para que a actual geração assuma a responsabilidade de construir o futuro através do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da produção e do empreendedorismo, afastando-se da violência e dos discursos de ódio.
Daniel Chapo lembrou que, à altura da independência, 93 por cento dos moçambicanos não sabiam ler nem escrever e que o país dispunha de apenas duas escolas secundárias, sublinhando os avanços registados desde então nos sectores da educação, energia e saúde.
O Presidente da República estabeleceu igualmente um paralelo entre a luta da Geração 25 de Setembro e os desafios da actualidade, afirmando que a geração da independência conquistou a liberdade política, cabendo à geração pós-independência completar esse percurso com a conquista da independência económica.
Ao concluir as celebrações, Daniel Chapo reafirmou que Moçambique não esquecerá os combatentes, os que tombaram durante a Luta de Libertação Nacional, os sobreviventes e as famílias que se sacrificaram pela causa da liberdade.
“A vossa vitória deu-nos uma pátria, a nossa responsabilidade é fazer desta pátria uma nação cada vez mais próspera, justa, unida e soberana”, declarou.
O Chefe do Estado acrescentou que cabe à actual geração honrar esse legado através da missão de “conquistar a independência económica”, preservando, simultaneamente, a memória e os valores da Luta de Libertação Nacional.
Na conclusão da sua intervenção, reforçou a orientação para a nova etapa do país: “A vitória de ontem deve inspirar-nos para as vitórias do amanhã” e “Trabalhar é necessário para conquistar a prosperidade. Este é o pacto com o nosso povo, este é o nosso compromisso com as futuras gerações”.