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Moçambique promovido como destino de investimento na Etiópia

28/04/2026 | Notícia

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta terça-feira, em Adis Abeba, que Moçambique se apresenta como um destino atrativo para investimento, com oportunidades concretas em diversos sectores estratégicos. Destacou ainda o potencial de cooperação económica com a Etiópia e apelou ao reforço de parcerias empresariais entre os dois países.

Durante um pequeno-almoço com empresários etíopes, no âmbito da sua Visita Oficial, o Chefe do Estado sublinhou a excelência das relações diplomáticas, mas defendeu a necessidade de uma abordagem mais pragmática no campo económico.

“Etiópia é um país irmão de Moçambique e as nossas relações político-diplomáticas são excelentes. Sempre viremos a Addis Abeba para encontros multilaterais ao nível da União Africana”, referiu, acrescentando que a sua presença visa “incrementar a nossa relação económica e comercial”.

O estadista descreveu o momento atual do país como uma janela de oportunidade única, afirmando que “Moçambique é um país que, neste momento, em termos de investimento, poderia dizer que está na moda”.
Como prova desta dinâmica, destacou quatro grandes projectos de gás natural em curso, avaliados em cerca de 60 mil milhões de dólares. Entre eles, salientou as operações da ENI, que já exporta através da plataforma Coral Sul, bem como os investimentos da TotalEnergies e da ExxonMobil.

Sobre a segurança na província de Cabo Delgado, um factor crucial para a viabilidade dos projectos, o Presidente garantiu progressos aos investidores. “A situação está estabilizada. O terrorismo ainda não terminou completamente, mas melhorou”, afirmou, explicando que, apesar de ataques esporádicos, não há vilas ocupadas e o projecto da Total já conta com cerca de cinco mil trabalhadores após a retoma das actividades.

Um dos pontos centrais da intervenção foi o compromisso com a diversificação económica. “O nosso objectivo é diversificar a economia, porque não queremos o que aconteceu com muitos países que, ao descobrirem recursos, concentram-se apenas neles”, alertou, destacando o potencial em minerais críticos como grafite, lítio e terras pesadas.

No sector energético, posicionou Moçambique como um parceiro estratégico para a industrialização da África Austral. “Moçambique está muito bem localizado para ser um hub de energia eléctrica na região, mas precisamos de mais investimentos para ampliar a nossa actual capacidade”, afirmou, convidando empresários a participarem no projecto da central de Mphanda Nkuwa e na expansão de fontes solares.

A agricultura e a logística também foram destacadas, com o Presidente a sublinhar os 36 milhões de hectares de terras aráveis e o acesso privilegiado ao mercado chinês com tarifa zero. Enalteceu ainda a experiência etíope no sector agrícola, defendendo a sua aplicação em Moçambique para impulsionar exportações.

No domínio da conectividade, destacou o papel da Ethiopian Airlines como facilitadora de ligações entre os dois países.
Para melhorar o ambiente de negócios, o Governo moçambicano está a implementar reformas legislativas e a promover Zonas Económicas Especiais com benefícios fiscais. O Presidente mencionou ainda a criação de um Gabinete de Reformas na Presidência e a abertura a parcerias em infra-estruturas no modelo BOT (Construir, Operar e Transferir).

“Temos estradas concretas onde o investidor pode aplicar recursos e recuperar o investimento através de concessões de 20 a 30 anos”, explicou.
A transformação digital foi apontada como uma nova fronteira de desenvolvimento, com planos para a criação de um data center nacional e investimentos em Inteligência Artificial. O Presidente sublinhou a ambição de transformar Moçambique num hub tecnológico, incentivando a entrada de soluções digitais e garantindo liberdade na exportação de dividendos.

Ao encerrar o encontro, apelou ao reforço do pan-africanismo económico no âmbito do mercado livre continental. “Defendo muito o negócio entre africanos”, declarou, incentivando os empresários a expandirem as suas actividades para além das fronteiras nacionais.

“Temos que começar a sair, investir fora do país, porque há mais oportunidades e podemos crescer mais”, concluiu.