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Washington D.C., Estados Unidos da América – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta segunda-feira, em Washington D.C., que o investimento estratégico e a consolidação da paz constituem os principais instrumentos para reduzir as fragilidades socioeconómicas e enfrentar os impactos das mudanças climáticas em Moçambique.
A posição foi apresentada durante a sessão inaugural do Fórum sobre Fragilidades 2026, promovido pelo Grupo Banco Mundial sob o lema “Acção Transformadora para os Lugares Mais Complexos do Mundo”. O evento reúne líderes políticos, académicos, especialistas e parceiros internacionais de desenvolvimento para discutir soluções sustentáveis para países afectados por conflitos, violência e vulnerabilidades estruturais.
Num momento considerado de grande relevância diplomática para Moçambique, Daniel Chapo foi o único Chefe de Estado convidado a integrar o painel de alto nível que marcou a abertura do encontro. A sessão foi co-presidida pelo Presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, que destacou a importância das experiências moçambicanas no debate internacional sobre resiliência e desenvolvimento.
Durante a sua intervenção, o estadista moçambicano chamou a atenção para os desafios que o país enfrenta devido à frequência crescente de fenómenos climáticos extremos, como cheias, ciclones e períodos de precipitação intensa, que têm provocado danos significativos em infra-estruturas, comunidades e actividades económicas.
Segundo o Presidente, estes desafios são agravados pela ameaça do terrorismo na província de Cabo Delgado, criando um ambiente de elevada vulnerabilidade que exige respostas estruturais e de longo prazo. Para Chapo, a melhor forma de reduzir a fragilidade passa pela antecipação dos riscos através do investimento em sectores estratégicos capazes de gerar crescimento económico e inclusão social.
“O investimento é um elemento fundamental para transformar desafios em oportunidades. Precisamos de criar condições para que os recursos existentes no país contribuam para a geração de emprego, rendimento e desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Ao abordar o potencial económico nacional, o Chefe do Estado destacou os investimentos em curso no sector energético, sobretudo nos projectos de gás natural liquefeito (LNG), que contam com a participação de multinacionais de referência mundial. Referiu ainda o enorme potencial hidroeléctrico de Moçambique e a sua crescente importância como fornecedor de energia para vários países da região austral de África.
Além da energia, Daniel Chapo apontou a agricultura, o turismo, a industrialização, a logística e as infra-estruturas como sectores prioritários para a diversificação da economia nacional. O Presidente sublinhou igualmente a relevância dos corredores de desenvolvimento e transporte, defendendo que estes devem ser aproveitados para atrair novos investimentos e criar oportunidades de emprego, especialmente para a juventude moçambicana.
No domínio da governação, o Presidente reafirmou que a paz e a segurança continuam a ser condições indispensáveis para o progresso económico e social do país.
“Não podemos ter desenvolvimento sem paz e segurança”, declarou, acrescentando que o Governo está a promover um amplo diálogo nacional envolvendo instituições públicas, sector privado, organizações da sociedade civil e comunidades locais, com vista à identificação de soluções para os desafios nacionais e à implementação de reformas que reforcem a estabilidade política e económica.
Chapo destacou ainda as medidas em curso para melhorar o ambiente de negócios e tornar Moçambique mais atractivo para investidores nacionais e estrangeiros. Entre as iniciativas mencionadas figuram a nova Lei de Conteúdo Local e diversos mecanismos de cooperação com o sector privado, incluindo concessões, parcerias público-privadas e modelos BOT (Build, Operate and Transfer).
Segundo o Presidente, a combinação entre investimento público e privado constitui uma ferramenta decisiva para acelerar o desenvolvimento e reduzir os factores de fragilidade que afectam diversas regiões do país.
Durante o debate, Ajay Banga enfatizou a relevância das contribuições apresentadas por Moçambique, destacando que a criação de emprego e a mobilização de investimento privado são elementos centrais para a redução da pobreza, prevenção de conflitos e fortalecimento da estabilidade em contextos vulneráveis.
No encerramento da sessão, Daniel Chapo voltou a defender uma abordagem preventiva na gestão de crises, argumentando que investir antecipadamente na estabilidade e no desenvolvimento é mais eficiente do que responder aos problemas após a sua ocorrência.
“É melhor investir antes dos conflitos eclodirem do que depois”, afirmou, salientando que a preparação antecipada reduz custos humanos e financeiros e aumenta a capacidade de resposta dos países perante desafios complexos.
A participação de Moçambique no Fórum sobre Fragilidades 2026 reforça a visibilidade internacional do país e evidencia o seu compromisso com a construção de soluções sustentáveis para enfrentar os desafios do desenvolvimento. O encontro serviu igualmente para destacar o papel do investimento, da paz e da cooperação internacional como factores determinantes para a promoção do crescimento económico inclusivo e da resiliência nacional.