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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, assumiu hoje, em Nairobi, o compromisso de regularizar a situação civil da diáspora moçambicana no Quénia, através do envio de brigadas móveis para a emissão de Bilhetes de Identidade e passaportes.
Durante um encontro com representantes da comunidade moçambicana residente naquele país, o Chefe do Estado respondeu às preocupações relacionadas com o risco de apatridia e as dificuldades de acesso à educação. Chapo reafirmou que a independência económica de Moçambique exige a inclusão activa dos cidadãos no exterior, classificando-os como “embaixadores incontornáveis” da identidade nacional e peças-chave na nova estratégia de governação e diplomacia económica.
Na sua intervenção, o Presidente enalteceu a preservação da identidade cultural da comunidade, destacando as manifestações artísticas apresentadas durante a recepção. “Expressamos o nosso profundo reconhecimento pelo vosso papel incontornável como verdadeiros embaixadores de Moçambique aqui no Quénia, na promoção dos nossos valores, da nossa cultura e da nossa identidade nacional no exterior. Como vimos na dança Mapiko, todos nós nos sentimos em casa”, afirmou.
Chapo sublinhou ainda que a criação de uma Secretaria de Estado dedicada às comunidades moçambicanas no estrangeiro demonstra a prioridade atribuída à diáspora no actual ciclo de governação.
A visita de trabalho ao Quénia, realizada a convite do Presidente William Ruto, visa reforçar os laços históricos e explorar novas oportunidades económicas entre os dois países. No âmbito da deslocação, o estadista participou, como convidado de honra, na Conferência Internacional de Investimento no Quénia, considerada crucial para a mobilização de investimentos tanto para o país anfitrião como para Moçambique.
O Presidente apelou igualmente ao empresariado moçambicano para explorar o mercado queniano, promovendo a cooperação bilateral como instrumento para o desenvolvimento económico e social.
No plano interno, Chapo apresentou um quadro de estabilidade macroeconómica e política, assegurando o funcionamento normal das instituições e destacando o actual Diálogo Nacional Inclusivo como mecanismo para reforçar a paz, a reconciliação, a unidade nacional e a estabilidade.
A agenda económica do país, centrada nos projectos de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma e no desenvolvimento sustentável, foi apontada como fundamental para a redução da pobreza. Ainda assim, o Chefe do Estado reconheceu os desafios impostos pelo terrorismo em Cabo Delgado, referindo “avanços significativos com o apoio de países amigos”, bem como o impacto dos eventos climáticos extremos que, desde Outubro, causaram mais de 200 mortes e afectaram cerca de oito mil pessoas.
Durante o encontro, representantes da comunidade moçambicana no Quénia expuseram as dificuldades enfrentadas por cidadãos sem documentação, incluindo limitações no acesso à educação, bolsas de estudo e propriedade de terra.
Em resposta, Chapo garantiu o envio de brigadas de registo civil: “Vamos nos organizar e mandar brigadas para emissão de Bilhetes de Identidade e passaportes em Mombaça, Nairobi e outros locais, para tratar da documentação dos nossos irmãos”.
O Presidente partilhou ainda o reconhecimento manifestado por William Ruto quanto ao comportamento da comunidade moçambicana no Quénia, descrevendo-a como pacífica, ordeira e respeitadora da lei.
Este ambiente de cooperação é também visível em Moçambique, particularmente na província de Nampula, onde mais de dois mil cidadãos quenianos vivem e investem, beneficiando da ligação aérea directa entre Nairobi e o norte do país, operada pela Kenya Airways.
Chapo incentivou ainda a diáspora a organizar-se em associações e a desempenhar um papel activo na diplomacia económica e cultural, promovendo o turismo e atraindo investimentos.
“O nosso país precisa do contributo de todos os seus filhos, incluindo os que se encontram na diáspora, para acelerar o crescimento, gerar emprego — especialmente para a juventude — e combater a pobreza de forma sustentável”, afirmou.
No final, o Presidente reafirmou o compromisso do Governo em facilitar a participação de todos os moçambicanos no desenvolvimento nacional, independentemente da sua localização.
“Por mais que estejamos no Quénia durante muitos anos, o nosso coração, o nosso espírito e a nossa alma estão em Moçambique”, concluiu.