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CASP 2026: Chapo reafirma reformas para fortalecer o ambiente de negócios

14/07/2026 | Notícia

Maputo, 14 de Julho de 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, desafiou esta terça-feira o sector privado a assumir um papel central na transformação económica de Moçambique, defendendo que o país deve apostar na produção, industrialização e competitividade para gerar riqueza, emprego e prosperidade.

Na abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), em Maputo, o Chefe do Estado afirmou que o momento exige uma visão estratégica capaz de posicionar Moçambique como protagonista do seu próprio desenvolvimento.
Perante empresários, investidores, parceiros de desenvolvimento, representantes da academia e da sociedade civil, o Presidente moçambicano destacou que a conferência constitui um momento de reflexão nacional sobre o futuro da economia, sublinhando que o país deve aproveitar as oportunidades existentes num contexto global marcado por rápidas transformações tecnológicas e económicas.
“A nossa resposta é clara: queremos um Moçambique que produz, que transforma, compete e prospera”, declarou.

O estadista considerou que o diálogo entre o Estado e o sector privado representa um dos maiores activos institucionais do país, sustentando que nenhuma economia consegue prosperar apenas com recursos naturais. Segundo afirmou, o desenvolvimento depende da construção de confiança entre instituições públicas, empresas e cidadãos, tornando o diálogo o primeiro investimento que Moçambique deve consolidar.

Abordou igualmente o contexto económico encontrado pelo actual Executivo, tendo referido que o país enfrentava dificuldades de financiamento, escassez de divisas, impactos das manifestações violentas e dos fenómenos climáticos extremos.
Neste quadro, o governante apontou o Diálogo Nacional Inclusivo e o combate à criminalidade, em particular aos raptos, como prioridades para restaurar a estabilidade e melhorar o ambiente de negócios.
“Queremos um Moçambique livre de raptos, um Moçambique livre de crimes, um Moçambique em paz e segurança, de forma que o nosso sector privado possa fazer negócios num ambiente de paz e segurança”, afirmou.

O Chefe do Estado afirmou que as reformas em curso visam tornar o Estado mais eficiente, digitalizar os serviços públicos, simplificar procedimentos e reforçar a confiança dos investidores. Acrescentou que o objectivo do Governo é criar riqueza através da iniciativa privada, fazendo do sector empresarial o principal gerador de emprego no país.
Na sua intervenção, o Presidente Chapo apresentou a visão de uma economia mais diversificada, defendendo investimentos em sectores como agricultura, indústria, turismo, economia azul, logística, digitalização e infra-estruturas, para reduzir a dependência da exploração de recursos naturais.

Ademais, afirmou que o país deve transformar internamente os seus recursos, criando cadeias de valor capazes de gerar mais emprego e rendimento para os moçambicanos.
O Chefe do Estado sublinhou ainda que a competitividade depende da qualidade das políticas públicas, da previsibilidade jurídica, da estabilidade macroeconómica e da eficiência das instituições. Neste contexto, apelou à clara separação entre as funções do Estado e do sector privado:
“Não podemos ter árbitros que são jogadores”.

Dirigindo-se ao empresariado, o estadista moçambicano reiterou que o Governo continuará a ser parceiro do sector privado, esperando, em contrapartida, investimentos de longo prazo, valorização do conteúdo local, aposta na formação dos trabalhadores e maior inovação.

Manifestou igualmente confiança na capacidade dos empresários moçambicanos para transformar desafios em oportunidades e consolidar empresas mais competitivas.
Na parte final da intervenção, o Presidente da República fez menção ao facto de Moçambique contar actualmente com cerca de **50 mil milhões de dólares em investimentos na Bacia do Rovuma**, envolvendo os projectos Coral Sul, Coral Norte, TotalEnergies e Exxon.

Contudo, advertiu que esses investimentos, por si só, não transformarão o país, defendendo que os recursos provenientes da indústria extractiva devem financiar a diversificação económica.
“O que vai mudar Moçambique é a nossa visão de construir uma economia diversificada”, afirmou, antes de declarar oficialmente aberta a XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026).